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Um dia, alguém viu Sócrates e lhe disse:
-Sócrates, preciso te contar como o teu amigo se comportou.
-Espera! - Interrompe o sábio - Passaste o que queres me dizer pelas
três peneiras?
-Três peneiras? - disse o outro, tomado de espanto.
-Sim, meu bom amigo: três peneiras. Examinemos se o que tens a me dizer pode passar pelas três peneiras. A primeira é a da verdade. Controlaste se o que queres me contar é verdadeiro?
-Não, ouvi dizer e...
-Bem, bem. Mas por certo a fizeste passar pela segunda peneira. É a da bondade. O que desejas me contar, embora não seja propriamente verdadeiro, é ao menos uma coisa boa?
Hesitante, o outro responde: - Não, pelo contrário...
- Hum! Diz o sábio - Tentemos nos servir da terceira peneira, e vejamos se é útil me contar o que queres me dizer...
- Útil? Não exatamente.
- Pois bem - diz Sócrates sorrindo. - Se o que tens a me dizer não é verdadeiro, nem bom, nem útil, prefiro não saber, e, quanto a ti, aconselho que o esqueças.
Ahn, aposto que ficou curioso, né?
Mas é isso aí, não era nem verdadeira, nem bom e nem util...
“O estacionamento estava deserto quando me sentei para ler embaixo dos longos ramos de um velho carvalho.
Desiludido da vida com boas razões para chorar, pois o mundo estava tentando me afundar.
E se não fosse razão suficiente para arruinar o dia, um garoto ofegante se chegou, cansado de brincar. Ele parou na minha frente, cabeça pendente, e disse cheio de alegria: - "Veja o que encontrei".
Na sua mão uma flor, e que visão lamentável, pétalas caídas, pouca água ou luz.
Querendo me ver livre do garoto com sua flor, fingi pálido sorriso e me virei.
Mas ao invés de recuar ele se sentou ao meu lado, levou a flor ao nariz e declarou com estranha surpresa: - "O cheiro é ótimo, e é bonita também... Por isso a peguei; ei-la, é sua."
A flor à minha frente estava morta ou morrendo, nada de cores vibrantes
como laranja, amarelo ou vermelho, mais eu sabia que tinha que pegá-la, ou ele jamais sairia de lá.
Então me estendi para pegá-la e respondi: - O que eu precisava.
Mas, ao invés de colocá-la na minha mão, ele a segurou no ar sem qualquer razão.
Nessa hora notei, pela primeira vez, que o garoto era cego, que não podia ver o que tinha nas mãos.
Ouvi minha voz sumir, lágrimas despontaram ao sol enquanto lhe agradecia por escolher a melhor flor daquele jardim.
- "De nada” - ele sorriu.
E então voltou a brincar sem perceber o impacto que teve em meu dia. Me sentei e pus-me a pensar como ele conseguiu enxergar um homem auto-piedoso sob um velho carvalho.
Como ele sabia do meu sofrimento auto-indulgente? Talvez no seu coração ele tenha sido abençoado com a verdadeira visão. Através dos olhos de uma criança cega, finalmente entendi que o problema não era o mundo, e sim EU.
E por todos os momentos em que eu mesmo fui cego, agradeci por ver a beleza da vida e apreciei cada segundo que é só meu.
E então levei aquela feia flor ao meu nariz e senti a fragrância de uma bela rosa, e sorri enquanto via aquele garoto, com outra flor em suas mãos prestes a mudar a vida de um insuspeito senhor de idade.”
Um certo homem saiu em uma viagem de avião. Era um homem temente a Deus, e sabia que Deus o protegeria. Durante a viagem, quando sobrevoavam o mar um dos motores falhou e o piloto teve que fazer um pouso forçado no oceano. Quase todos morreram, mas o homem conseguiu agarrar-se a alguma coisa que o conservasse em cima da água. Ficou boiando à deriva durante muito tempo até que chegou a uma ilha não habitada.
Ao chegar à praia, cansado, porém vivo, agradeceu a Deus por este livramento maravilhoso da morte. Ele conseguiu se alimentar de peixes e ervas. Conseguiu derrubar algumas arvores e com muito esforço conseguiu construir uma casinha para ele. Não era bem uma casa, mas um abrigo tosco, com paus e folhas. Porém significava proteção. Ele ficou todo satisfeito e mais uma vez agradeceu a Deus, porque agora podia dormir sem medo dos animais selvagens que talvez pudessem existir na ilha.
Um dia, ele estava pescando e quando terminou, havia apanhado muitos peixes. Assim com comida abundante, estava satisfeito com o resultado da pesca. Porém, ao voltar-se na direção de sua casa, qual tamanha não foi sua decepção, ao ver sua casa toda incendiada. Ele se sentou em uma pedra chorando e dizendo em prantos:
"Deus! Como é que o Senhor podia deixar isto acontecer comigo? O Senhor sabe que eu preciso muito desta casa para poder me abrigar, e o Senhor deixou minha casa se queimar todinha. Deus, o Senhor não tem compaixão de mim?"
Neste mesmo momento uma mão pousou no seu ombro e ele ouviu uma voz dizendo: "Vamos rapaz?"
Ele se virou para ver quem estava falando com ele, e qual não foi sua surpresa quando viu em sua frente um marinheiro todo fardado e dizendo:
"Vamos rapaz, nós viemos te buscar".
"Mas como é possível? Como vocês souberam que eu estava aqui?"
"Ora, amigo! Vimos os seus sinais de fumaça pedindo socorro. O capitão ordenou que o navio parasse e me mandou vir lhe buscar naquele barco ali adiante."
Os dois entraram no barco e assim o homem foi para o navio que o levaria em segurança de volta para os seus entes queridos.
Quantas vezes nossa "casa se queima" e nós gritamos como aquele homem gritou?
Às vezes, é muito difícil aceitar isto, mas é assim mesmo. É preciso crer e confiar!
Assopre o pensamento triste, deixe escorrer a ultima lagrima, conte até vinte.
Abra então a janela, aquela que dá para o vôo dos pardais, procure a luz que pisca lá na frente, (evite as sombras que ficaram lá para atrás), ao encontra-la, coloque-a dentro do peito, de tal jeito que possa ser notada do lado de fora.
Acrescente agora uma pitada de poesia, do tipo que passa por nós todos os dias, e nem sequer consegue ser notada; aumente o brilho com toda a intensidade de que um sorriso é capaz.
A felicidade é o seu limite, e o paraíso é você mesmo quem faz!